As Conseqüências da Diminuição de Oxigênio


1- A competição pelo oxigênio

Prejuízos: são prejudicados os animais e as bactérias, que usam oxigênio na respiração. Em decorrência morrem muitos desses organismos.
Organismos beneficiados: são beneficiadas as bactérias anaeróbicas, que não usam oxigênio na respiração, não só pela eliminação de seus competidores - as baterias aeróbicas - como também pelo aumento do número de organismos mortos, o que significa mais alimento. São também beneficiadas as algas do fitoplâncton, porque produzem oxigênio na fotossíntese (e, portanto, independem do oxigênio da água) e porque foram eliminados muitos dos herbívoros que controlavam seu número.

2- Bactérias anaeróbicas proliferam


Essas bactérias eliminam no ambiente substâncias malcheirosas e substâncias tóxicas, e, à medida que elas aumentam em número, a quantidade desses materiais aumenta no ambiente.
Prejuízo: aumenta a morte de animais e vegetais submersos; as águas tornam-se malcheirosas.
Organismos beneficiados: algas do fitoplâncton que ficam livres da maior parte dos herbívoros.

3- Algas proliferam e cobrem a superfície da água


Prejuízo: a água fica turva; surge competição entre as algas pela luz e pelos nutrientes minerais.
Primeiro tipo de nutriente que se torna escasso são os nitratos, que os produtores usam em maior quantidade. Devido à falta de luz e desses sais minerais, muitas algas morrem.
Organismos beneficiados: as bactérias anaeróbicas (aumento de alimento) e certas algas do grupo das algas azuis, que são capazes de usar nitrogênio do ar para produzir nitratos.

4- Algas azuis proliferam

Prejuízos: a turvação da água aumenta. Essas algas produzem substâncias tóxicas para a maioria dos seres vivos, incluindo outras algas.
Organismos beneficiados: bactérias anaeróbicas e algas azuis.
Fatores que diminuem o oxigênio nas águas

- Aumento da temperatura das águas - Poluição térmicaMuitas indústrias usam água de rio para resfriar suas caldeiras, devolvendo para o ambiente a água aquecida. A elevação da temperatura da água tem dois efeitos: (1) aumenta a intensidade da respiração de todos os seres que aí vivem que passam a consumir mais oxigênio; (2) diminui a solubilidade desse gás na água (tabela abaixo).

Quantidade de oxigênio dissolvido em saturação em um litro de água sob pressão de 760 mmhg.

Temperatura (oC.) O2 dissolvido (cm3 / L)
0------------------------------------------ 10, 244

5-------------------------------------------8, 979

10------------------------------------------7, 960

15------------------------------------------7, 150

20------------------------------------------6, 500

25------------------------------------------5, 950

30------------------------------------------5, 480

- Lançamentos de águas usadas - Poluição biológicaÉ comum rios receberem águas usadas, contendo restos de alimentos, fezes e urina. Muitos recebem também vinhoto, liberado pelas indústrias açucareiras, que usam os rios para se desfazerem do bagaço da cana. Esses materiais servem de alimento para as bactérias decompositoras. Havendo oxigênio na água, as bactérias aeróbicas são favorecidas e se multiplicam rapidamente. À medida que aumentam em número, aumenta também o consumo de oxigênio e a liberação de sais minerais. O aumento desses sais favorece os produtores que passam a produzir mais alimento. Em conseqüência, os consumidores são beneficiados e a produtividade do rio aumenta. Esse fase recebe o nome de eutroficação do rio ou lago, palavra que significa “aumento da capacidade de produzir alimento”. As algas proliferam e cobrem toda a superfície da água, mas as que ficam nas camadas inferiores deixam de receber luz e morrem beneficiando os decompositores. Começa a haver a diminuição do oxigênio e as conseqüências são as já descritas.

- Lançamento de fertilizantes - Poluição química
Os fertilizantes químicos ricos em nitratos e fosfatos beneficiam diretamente os produtores, determinando a eutroficação do rio ou lago, com as conseqüências já vistas.

- Lançamento de detergentes - Poluição químicaTodos os detergentes contêm substâncias tóxicas, principalmente para as algas do fitoplâncton. Esses materiais costumam ser classificados em biodegradáveis e não-biodegradáveis. Os primeiros podem ser decompostos por microorganismos, de modo que, com o tempo, perdem a ação tóxica. Mas até que isso aconteça, as algas foram exterminadas, muitos consumidores morreram devido à falta de alimento e as bactérias foram beneficiadas. Dispondo de oxigênio, as aeróbicas levam vantagem inicialmente; consumida essa substância, as anaeróbicas são as favorecidas e as únicas sobreviventes. Os não biodegráveis são produzidos com compostos orgânicos de cadeia ramificada e não são consumidos por microorganismos existentes nas águas e conseqüentemente se acumulam no ambiente, seja rio ou lago. São eles os responsáveis pela formação de espumas que chegam a formar camadas de mais de um metro de altura em certos rios. Essas espumas impedem que o oxigênio do ar se misture com a água determinando a morte do rio.

Controle da poluição das águas

As águas poluídas podem ser recuperadas para abrigar novamente vida aquática ou servir para o consumo humano. O ideal é que sejam eliminadas as substâncias nocivas provenientes das indústrias e dos esgotos urbanos, antes de a água ser devolvida aos rios, lagos e represas.
Um dos processos de recuperação da água poluída por esgotos urbanos é a depuração biológica. Uma unidade de depuração biológica consta de um reservatório de decantação primária, um tanque de aeração e um reservatório de decantação secundária.

No reservatório de decantação primária ocorre sedimentação de resíduos e partículas pesadas; no tanque de aeração ocorre oxidação de compostos orgânicos por bactérias aeróbicas e no reservatório de decantação secundária vai haver sedimentação das partículas oxidadas. O lodo que se forma nos dois reservatórios de decantação pode ter vários destinos: aterros sanitários, incineradores fabricas de adubo orgânico e biodigestores para produção de gás metano e outros. Outra medida de purificação da água é a recuperação e a reciclagem de matérias - primas despejadas pelas indústrias, como metais, sais de fósforo, cálcio, potássio, etc. Ainda pode ser lembrada a necessidade de medidas mais rigorosas de controle dos vazamentos de petróleo no mar.

Destino Para o Lixo

Uma questão muito importante é o destino do lixo, seja urbano ou industrial. Existem várias técnicas de remoção, estocagem e reaproveitamento do lixo. Ele pode ser depositado em aterros sanitários, queimado, utilizado para produção de adubo e de gás ou reciclado.
Os aterros sanitários consistem em depósitos onde o lixo compactado é distribuído entre camadas de terra ou areia. Um aterro sanitário bem planejado é revestido com argila o u material impermeabilizante na sua base e é protegido com vegetação ao redor.
A incineração do lixo é feita em fornos especiais. O processo de incineração, entretanto, envolve a utilização de filtros e redutores de emissão de gases tóxicos, entre os quais monóxido de carbono (CO), dióxido de carbono (CO2) e dióxido de enxofre (SO2).

A parte orgânica do lixo pode servir para a produção de adubo e de gás. O lixo orgânico é separado, triturado e amontoado em local onde possa ser continuamente arejado. Bactérias e fungos realizam a decomposição da matéria orgânica e, em pouco tempo, forma-se o adubo. O gás é produzido em biodigestores, onde a matéria orgânica fermenta e produz metano, que é recolhido e engarrafado.

A forma mais econômica e menos poluidora de tratar o lixo é através do reaproveitamento. Em todo o mundo estão sendo construídas usinas de reciclagem de lixo que separam papéis, plásticos, metais vidro, madeira, pano, etc. Dos restos orgânicos. Os diferentes materiais são destinados a diferentes indústrias, indo o papel produzir novo papel; o vidro triturado e fundido é convertido em novo vidro e o plástico vai permitir a obtenção de mais plástico. Os metais são fundidos, separados e transformados em novas ligas metálicas. O lixo orgânico vai para a compostagem e biodigestores.

Muitos rejeitos industriais podem ser também utilizados. Resíduos ricos em ferro, por exemplo, lançados na água pelas indústrias, podem ser recuperados dos sedimentos onde se acumulam. Do processo de recuperação obtêm-se ferro metálico e uma escória, que pode ser usada na fabricação de concreto e na pavimentação de estradas.
O reaproveitamento de carcaças de máquinas, veículos, aparelhos eletrodomésticos e de outros artefatos também constitui ótima medida econômica e antipoluidora. A parte metálica é separada de componentes como borracha, plástico e vidro. Fundida, constitui uma sucata valiosa, que permite a obtenção de aço.

Controle do uso de agrotóxicos
Várias medidas podem ser adotadas para o controle do uso de agrotóxicos. Uma delas é o aproveitamento das técnicas de aplicação dos pesticidas; outras são um maior rigor na fiscalização e controle do uso e a produção de pesticidas de ação específica, isto é, mortais para determinadas espécies de organismo e inócuos para outras. Entretanto, o melhor caminho é o da redução do emprego de agrotóxicos. Isso implica a adoção de alternativas para o controle de pragas, e a saída mais promissora é oferecida pela biotecnologia.
São várias as técnicas biológicas usadas no controle de pragas: seleção e criação de organismos parasitas ou predadores daqueles que se quer combater; seleção de espécies e variedades resistentes às pragas; criação, em laboratórios, de organismos que não existem na natureza, destinados a eliminar tipos específicos de praga.