Imigração


Imigração


O QUE É IMIGRAÇÃO


Imigrar, no sentido da palavra propriamente dita, significa entrar em um país que não é o seu de origem para ali viver ou passar um período de sua vida.


HISTORIA DA IMIGRAÇÃO NO BRASIL

A marca da imigração no Brasil pode ser percebida especialmente na cultura e na economia das duas mais ricas regiões brasileiras: Sudeste e Sul.
A colonização foi o objetivo inicial da imigração no Brasil, visando ao povoamento e à exploração da terra por meio de atividades agrárias. A criação das colônias estimulou o trabalho rural. Deve-se aos imigrantes a implantação de novas e melhores técnicas agrícolas, como a rotação de culturas, assim como o hábito de consumir mais legumes e verduras. A influência cultural do imigrante também é notável.Texto resumo da postagem.
A imigração teve início no Brasil a partir de 1530, quando começou a estabelecer-se um sistema relativamente organizado de ocupação e exploração da nova terra. A tendência acentuou-se a partir de 1534, quando o território foi dividido em capitanias hereditárias e se formaram núcleos sociais importantes em São Vicente e Pernambuco. Foi um movimento ao mesmo tempo colonizador e povoador, pois contribuiu para formar a população que se tornaria brasileira, sobretudo num processo de miscigenação que incorporou portugueses, negros e indígenas.



SÉCULO XVI

No século XVI, o Brasil passou a ser colonizado por Portugal e aqui passaram a se estabelecer um número significativo de colonos portugueses e de escravos africanos. Nesse século desembarcaram no Brasil em torno de 50 mil portugueses e 50 mil africanos.



SÉCULO XVII

Imigrantes portugueses à espera do navio para o Brasil, século XXO desenvolvimento da cultura de cana-de-açúcar faz crescer o número de escravos africanos desembarcados na colônia, enquanto a imigração portuguesa continuou reduzida. Portugal não tinha população suficiente para mandar grandes números de colonos para o Brasil. Nesse século desembarcaram 550 mil africanos e 50 mil portugueses.SÉCULO XVIII O desenvolvimento da mineração trouxe para o Brasil centenas de milhares de africanos, que foram escravizados nas minas de ouro. Um fato novo foi, pela primeira vez na História da colônia, a vinda de um enorme contingente de colonos portugueses. Nesse século desembarcaram 1 milhão e 600 mil africanos e 600 mil portugueses no Brasil. O Brasil passou a possuir a maior população africana fora da África.



IMIGRAÇÃO DO SÉCULO XIX

A imigração propriamente dita verificou-se a partir de 1808, vésperas da independência, quando se instalou um permanente fluxo de europeus para o Brasil, que se acentuou com a fundação da colônia de Nova Friburgo, na província do Rio de Janeiro, em 1818, e a de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, em 1824. Dois mil suíços e mil alemães radicaram-se no Brasil nessa época, incentivados pela abertura dos portos às nações amigas. Outras tentativas de assentar irlandeses e alemães, especialmente no Nordeste, fracassaram completamente. Apesar de autorizada a concessão de terras a estrangeiros, o latifúndio impedia a implantação da pequena propriedade rural e a escravidão obstaculizava o trabalho livre assalariado.

Na caracterização do processo de imigração no Brasil encontram-se três períodos que correspondem respectivamente ao auge, ao declínio e à extinção da escravidão. O primeiro período vai de 1808, quando era livre a importação de africanos, até 1850, quando decretou-se a proibição do tráfico. De 1850 a 1888, o segundo período é marcado por medidas progressivas de extinção da escravatura (Lei do Ventre Livre, Lei dos Sexagenários, alforrias e, finalmente, a Lei Áurea), em decorrência do que as correntes migratórias passaram a se dirigir para o Brasil, sobretudo para as áreas onde era menos importante o braço escravo. O terceiro período, que durou até meados do século XX, começou em 1888, quando, extinta a escravidão, o trabalho livre ganhou expressão social e a imigração cresceu notavelmente, de preferência para o Sul mas também em São Paulo, onde até então a lavoura cafeeira se baseava no trabalho escravo.

Após a abolição, em apenas dez anos (de 1890 a 1900) entraram no Brasil mais de 1,4 milhões de imigrantes, o dobro do número de entradas nos oitenta anos anteriores (1808-1888). Acentua-se também a diversificação por nacionalidades das correntes migratórias, fato que já ocorria nos últimos anos do período anterior. No século XX, o fluxo migratório apresentou irregularidades, em decorrência de fatores externos -- as duas guerras mundiais, a recuperação européia no pós-guerra, a crise nipônica -- e, igualmente, devido a fatores internos. No começo do século XX, por exemplo, assinalou-se em São Paulo uma saída de imigrantes, sobretudo italianos, para a Argentina. Na mesma época verifica-se o início da imigração nipônica, que alcançaria, em cinqüenta anos, grande significação. No recenseamento de 1950, os japoneses constituíam a quarta colônia no Brasil em número de imigrantes, com 10,6% dos estrangeiros recenseados.

SÉCULO XX As fazendas de café ainda estavam necessitadas de mão-de-obra, e a imigração continuou alta durante grande parte do século, diminuindo após a década de 1930. Desembarcaram 133 mil alemães, 174 mil japoneses, 457 mil italianos, 465 mil espanhóis, e 1 milhão de portugueses.



O POVOAMENTO PRÉ-COLONIAL

Quando os primeiros portugueses aportaram no Brasil, em 22 de abril de 1500, encontraram no território grupos humanos que já viviam ali há pelos menos 10 mil anos. Há diversas teses sobre a origem dos povos indígenas, mas a mais aceita que vieram da Ásia, atravessando o estreito de Bering, que ligava a Sibéria e com a América do Norte. Em 1500, sua população é estimado entre 2 e 5 milhões de indivíduos.O POVOAMENTO PORTUGUÊS No detalhe do mapa "Terra Brasilis" (Atlas Miller, 1519), atualmente na Biblioteca Nacional de França.Até a abertura dos portos ocorrida em 1808, o povoamento europeu no Brasil foi quase que exclusivamente português. Mais de 700.000 portugueses se deslocaram para sua colônia americana neste período. O povoamento lusitano começou efetivamente em 1532, a partir da fundação do povoado de São Vicente. A imigração de lusos no período colonial ficou por muito tempo estagnada, tendo em vista que Portugal tinha uma população muito pequena, e era difícil mandar colonos para o Brasil.


Entre 1500 e 1700, 100 mil portugueses se deslocaram para o Brasil, a maioria dos quais fazia parte da iniciativa privada que colonizou o País: grandes fazendeiros ou empresários falidos em Portugal que, através da distribuição de sesmarias, tentavam se enriquecer facilmente e retornar para Portugal. A colonização de exploração foi característica da colonização ibérica pois, ao contrário dos colonos anglo-saxões que tentavam uma vida melhor nas Américas, os colonos lusos procuravam enriquecimento rápido e retorno quase imediato à Metrópole. Dedicaram-se principalmente à agricultura, baseada no trabalho escravo, inicialmente efetuado por indígenas, mas, sobretudo por escravos africanos.


No século XVIII aportaram no Brasil 600.000 português, atraído pela exploração de ouro que estava ocorrendo em Minas Gerais. Já não eram exclusivamente fazendeiros e agricultores, ganharam caráter urbano e se dedicaram principalmente à exploração do ouro e ao comércio.


No século XIX o Brasil tornou-se independente, dando fim a colonização portuguesa no País, embora a imigração de portugueses continuasse a crescer gradativamente. No final desse século, o fluxo de imigrantes portugueses cresceu rapidamente, sendo superado apenas pelos italianos. Entre 1870 e 1950, cerca de 1,4 milhões de portugueses desembarcaram no Brasil, em sua maioria camponeses que passaram a se dedicar ao comércio.



ENTRADA DE AFRICANOS NO BRASIL, PERÍODOS DE 1500 À 1855

Embora freqüentemente não seja vista como uma imigração, a escravidão africana no Brasil foi um movimento imigratório, todavia, foi realizado de forma forçada. Seu início ocorreu na segunda metade do século XVI, e desenvolveu-se no século XVIII até ser proibida em 1850. Ao todo, entraram no Brasil aproximadamente quatro milhões de africanos na forma de escravos.



OS PRIMEIROS IMIGRANTES NÃO-LUSOS

Nova Friburgo durante sua colonização 1820-1830. Os suíços foram os primeiros imigrantes europeus a se estabelecerem no Brasil, depois dos portugueses.


Em 16 de maio de 1818 o Príncipe-Regente D. João VI, sentindo a necessidade de uma colonização planejada, a fim de promover e dilatar a civilização do Reino do Brasil, baixou um Decreto que autorizou o agente do Cantão de Friburgo, na Suíça, Sebastião Nicolau Gachet, a estabelecer uma colônia de cem famílias suíças na Fazenda do Morro Queimado, no Distrito de Cantagalo, na região serrana do Rio de Janeiro, localidade de clima e características naturais idênticas às de seu país de origem. Entre 1819-1820 chegavam ao Brasil 261 famílias de colonos suíços, 161 a mais do que havia sido combinado nos contratos, totalizando 1.686 imigrantes. Fundando a cidade de Nova Friburgo no Rio de Janeiro.


Esse foi o primeiro movimento organizado, contratado pelo governo brasileiro, de imigrantes europeus a se estabelecerem no Brasil. O segundo movimento seria dos imigrantes alemães que também se estabeleceriam em Nova Friburgo em 3 maio de 1824, vindo substituir muitos dos suíços que abandonaram seus lotes e se dispersaram por toda a região serrana e centro norte de estado do Rio de Janeiro em busca de terras férteis e mais acessíveis.



O POVOAMENTO IMIGRANTE NO SUL

Após a independência, a imigração passou a fazer parte da política Imperial, pois o Sul do Brasil continuava despovoado e alvo da cobiça dos países vizinhos. O governo passou a incentivar a implantação de núcleo de colonos imigrantes no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.



IMIGRAÇÃO ALEMÃ PARA O BRASIL (1824-1969)

O Imperador do Brasil passou a se dedicar a ocupação das terras vazias do Sul do Brasil. Para cumprir essa tarefa, o governo brasileiro optou pela vinda de imigrantes. O Brasil acabara de se tornar independente de Portugal, portanto, os portugueses não podiam ser. A imperatriz do Brasil, Dona Leopoldina, era austríaca e, por essa razão, o Brasil optou por trazer imigrantes germânicos para o país. Os alemães tornaram-se os terceiros imigrantes europeus a se estabelecerem no Brasil, após os portugueses e os suíços que fundaram em 1818 a cidade de Nova Friburgo no Rio de Janeiro. Cidade esta, que também recebeu a primeira leva de imigrantes alemães em 3 de maio de 1824.


O segundo grupo de colonos alemães aportou no Brasil em 1824. Foram recrutados pelo major Jorge Antonio Schaffer e encaminhados para o atual município de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Os colonos tiveram que construir suas próprias casas, receberam sementes para a plantação e gado para o sustento. De início, São Leopoldo não se desenvolveu. Porém, com a chegada de novos imigrantes, a colônia cresceu.
Casa alemã na cidade de Pomerode. A partir de São Leopoldo, os alemães desbravaram a região, seguindo o caminho dos rios. Em alguns anos, toda a região do Vale do Rio dos Sinos estava sendo ocupada pelos colonos germânicos. Em 1826, surgiu o primeiro costume na região do vale. A seguir, estalaram-se moinhos de trigo, uma fábrica de sabão, ferrarias, oficinas de lapidação de pedras, além de um número enorme de sapatarias (ainda hoje um dos maiores pólos da indústria calçadista do Brasil).


A colonização continuou à medida que os alemães, em sua maioria partindo de São Leopoldo, buscavam novas terras em lugares mais distantes. Essas colônias já não eram patrocinadas pelo governo, e sim colônias privadas. Colônias antigas, como Novo Hamburgo, estabelecidas pouco tempo depois de São Leopoldo, serviram de apoio para a criação de colônias mais novas, como Estrela (1853), Lajeado (1853) e Teutônia (1868). Outras colônias, só foram criadas tempos depois, como Ijuí (1890), Sobradinho (1901) e Erechim (1908). Essas últimas colônias já não eram exclusivamente alemãs, pois agregavam imigrantes de outras nacionalidades. A imigração alemã no Rio Grande do Sul foi contínua. Entre 1824 e 1830 entraram no Rio Grande 5.350 alemães. Depois de 1830 até 1844 a imigração foi interrompida.

Entre 1844 e 50 foram introduzidos mais dez mil, e entre 1860 e 1889 outros dez mil. Entre 1890 e 1914 chegaram mais 17 mil. Os protestantes formaram a maioria dessas corrente imigratórias e igrejas luteranas foram estabelecidas nas colônias para atender aos fiéis. Porém, o número de católicos também era grande. Com o passar do tempo, a maior parte dos alemães e descendentes passaram a ser católicos.


Em Santa Catarina os primeiros colonos alemães aportaram em 1829, na atual cidade de São Pedro de Alcântara. Essa colônia fracassou. A grande colonização germânica no estado só ocorreu um pouco mais tarde, a partir de 1850. A colônia de Blumenau, no vale do Rio Itajaí-Açu, foi criada por Hermann Blumenau em 1850. Acompanhado por outros 17 alemães, Hermann achou um clima da região agradável, cortada pelo rio, propícia para a fundação de uma colônia. Em 1860, ele vende a colônia para o governo imperial e em 1880, Blumenau torna-se município, contando com 15.000 habitantes, em sua maioria alemã. Em 1851, inicia-se a colonização de outra região de Santa Catarina, a partir da fundação da Colônia Dona Francisca, atualmente Joinville. Entre 1850 e 1888, chegaram à região 17.000 colonos alemães, em sua maioria protestante, agricultores sem recursos, comerciantes e artesões. A partir dessa colônia, os alemães se expandiram e colonizaram todo o norte de Santa Catarina.


Marca dos alemães em Lajeado. No caso do Paraná, a colonização alemã foi mais sensível, porém, não menos importante. Em 1829 chegaram os primeiros colonos germânicos, na atual cidade de Rio Negro. Novas correntes chegariam nas décadas seguintes, mas só a partir de 1870 que a colonização cresceu. Em 1878, alemães vindos da região do Rio Volga, na Rússia, estabeleceram-se nos Campos Gerais, perto das atuais cidades de Ponta Grossa e Lapa. A maior parte dos colonos germânicos só chegaram no século XX, vindos de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.



IMIGRAÇÃO ITALIANA PARA O BRASIL (1876-1920)

Casa de pedra em Nova Veneza, marco da colonização italiana.As primeiras colônias italianas do Sul do Brasil nasceram nas serras gaúchas, entre os vales dos rios Caí e das Antas, limitando-se ao norte com os campos de Cima da Serra, e ao sul com as colônias alemãs do vale dos rios das Antas e Caí. Os italianos foram atraídos para o Sul do Brasil a fim de substituir a colonização alemã, pois, na Alemanha, criaram-se mecanismos para impedir a imigração para o Brasil, pois muitas denúncias contra essa imigração eram feitas, tendo em vista que muitos passavam privações no país. Os colonos alemães, assim que chegavam ao Rio Grande do Sul, rumavam para as colônias já estabelecidas, apartando-se de se aventurar nas matas fechadas das serras. Para ocupar as matas fechadas, optou-se pela vinda de imigrantes italianos. No ano de 1875, foram criadas as colônias Conde D'Eu e Dona Isabel, atual Bento Gonçalves e Garibaldi. No mesmo ano, criou-se a colônia Caxias (atualmente Caxias do Sul) e em 1877 Silveira Martins. A partir dessas quatro colônias, os italianos passaram a se expandir pelas regiões das serras. A maior parte desses imigrantes eram camponeses vindos do Norte da Itália, e se tornavam pequenos cultivadores no Brasil. Caxias do Sul tornou-se a colônia mais próspera da região, servindo de base para os surgimentos de diversas outras, como Mariana Pimentel (1888), Barão do Triunfo (1888), Vila Nova de Santo Antonio (1888), Jaguari (1889), Ernesto Alves (1890) e Marquês do Herval (1891). Ali plantavam produtos de subsistência, como o milho e o trigo. Mas o cultivo que marcou sua presença no Rio Grande do Sul foi a videira. Em um cálculo aproximado, estima-se que do total de imigrantes que veio para o estado, 54% era de vênetos, 33% de lombardos, 7% de trentinos, 4,5% de friulinos e as outras regiões forneceram os restantes 1,5%.


Calcula-se que, entre 1875 e 1914, entraram no estado entre 80 e 100 mil italianos. Porto de Santos, porta de entrada de milhões de imigrantes no Brasil. Em Santa Catarina, imigrantes italianos vindos da Sardenha já habitavam a região da Nova Itália (hoje São João Batista) desde 1836. Porém, a imigração só começaria de fato em 1875. Foram criadas as colônias de Rio dos Cedros, Rodeio, Ascurra e Apoiúna, em torno da colônia alemã de Blumenau; Porto Franco (atual Botuverá) e Nova Trento, em torno da colônia Brusque. A colonização italiana se deu em maior expressividade no sul do estado, no vale do rio Tubarão, as colônias de Azambuja, Pedras Grandes e Treze de Maio: no vale do Urussanga, os núcleos de Urussanga, Acioli de Vasconcelos (atual Cocal) e Criciúma. Outras colônias foram criadas e ocupadas por italianos vindos do Rio Grande do Sul.


Arquitetura Ucraniana no Parque Tingüi, em Curitiba. No Paraná os primeiros colonos italianos chegaram em 1878 e se fixaram no litoral, porém pouco tempo depois partiram para a região de Curitiba, se fixando em diversas cidades. No caso do Paraná, os italianos vieram principalmente trabalhar na produção do café, efetuando uma colonização diferente daquela do Rio Grande e Santa Catarina e mais semelhante com a imigração em São Paulo, estado que abriga mais da metade dos imigrantes italianos e seus descendentes.



COLONIZAÇÃO ESLAVA

Os povos eslavos, em sua maioria poloneses, formaram a maior corrente imigratória no estado do Paraná. Entre 1869 e 1920, estima-se que 60.000 poloneses entraram no Brasil, 95% desses estabeleceram-se no Paraná nas colônias de Mallet, Cruz Machado, São Mateus do Sul, Irati e União da Vitória e na região de Curitiba. Os imigrantes poloneses dedicaram-se principalmente à agricultura. Difundiram o uso do arado e de outras técnicas agrícolas na região. Em menor quantidade, rumaram para o interior do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os ucranianos também rumaram em sua maioria para o Paraná. Colonizaram a região de Prudentópolis. Imigrantes russos também viriam, mas em pouca quantidade.Inclusive trouxeram o modelo de carroça, usada somente onde predominou a imigração eslava (poloneses, ucranianos, russos) Ela servia para o transporte de materiais para a produção agrícola e também no transporte e escoamento da produçao(milho, feijão, repolho, batata, etc.)



MÃO-DE-OBRA IMIGRANTE NO CAFÉ


Imigração para o Brasil, por nacionalidade, por décadas de 1884-1893, 1924-1933 e 1945-1949. Um segundo momento importante da história da imigração no Brasil iniciou-se no fim do século XIX. Esse novo surto imigratório, incentivado pelo governo e pelos senhores do café, foi provocado com o objetivo de substituir a mão-de-obra escrava pela mão-de-obra imigrante. As fazendas de café (principalmente em São Paulo) atraíram 70% dos mais de 5 milhões de imigrantes desembarcados no Brasil nesse período. Esses imigrantes eram, em sua maioria, italianos, mas também havia portugueses e espanhóis entre eles.


Em 1850, a Lei Eusébio de Queirós decretava o fim do tráfico de escravos africanos no Brasil. Influenciados pelas teorias racistas que assolavam a Europa, os imigrantistas associavam os negros à indolência e à preguiça e, por isso, precisavam atrair trabalhadores europeus para substituir os escravos. Nas fazendas, organizava-se um sistema de colonato, uma forma de trabalho semi-assalariado. O imigrante e sua família recebiam o salário misto, entre dinheiro e uma pedaço de terra para plantar seu próprio sustento. As jornadas de trabalho exaustivas e a exploração por parte dos fazendeiros faziam os imigrantes rapidamente deixarem as colheitas de café e partirem para os centros urbanos, onde se dedicaram ao comércio e à indústria.


MÃO-DE-OBRA ITALIANA

A mão-de-obra italiana foi a mais usada durante o ciclo do café no Brasil. Os italianos passaram a imigrar em larga escala pois, a maioria sendo camponesa, não tinham acesso às terras na Itália. Com a esperança de se tornaram proprietários de terras, imigravam para o Brasil. Mas chegando aqui, apenas aqueles que eram encaminhados para o Sul do país tornaram-se proprietários, enquanto a massa que foi mandada para as fazendas de café iam trabalhar nas plantações de terceiros.


Com o fim da escravidão, iniciou-se a entrada de centenas de milhares de italianos no Brasil. Entre 1870 e 1920, momento áureo do largo período denominado como da "grande imigração", os italianos corresponderam a 42% do total dos imigrantes entrados no Brasil, ou seja, em 3,3 milhões de pessoas, os italianos eram cerca de 1,4 milhão.MÃO-DE-OBRA ESPANHOLA Embora a colheita do café tenha sido marcada pelo largo uso da mão-de-obra de imigrantes italianos, os espanhóis tornaram-se o segundo maior grupo a trabalhar nos cafezais. A imigração espanhola no Brasil iniciou-se na década de 1880. No início do século XX, a imigração de italianos para o Brasil passou a arrefecer, então o governo brasileiro passou a atrair maior contingente de espanhóis, mandando-os para trabalhar nas colheitas de café. Mais de 750 mil espanhóis desembarcaram no Brasil entre 1880 e 1950, a maior parte rumou para os cafezais paulistas.A




IMIGRAÇÃO NO SÉCULO XX

No século XX o Brasil passou por um surto de urbanização. Milhares de pessoas deixaram o campo em busca de melhores condições de vida nas cidades, entre eles, muitos imigrantes. Na cidade de São Paulo, por exemplo, os italianos se aglomeraram em regiões como a Mooca e Bela Vista, formando um grande número de imigrantes urbanos. Com isso, cresceu o número de operários trabalhando na indústria brasileira. Os imigrantes europeus trouxeram idéias novas que estavam acontecendo na Europa, como o anarquismo, sindicalismo, socialismo e formaram greves operárias que rapidamente se alastraram pelo país.


Imigrantes tipicamente urbanos, como os portugueses, sírios, libaneses e espanhóis se dedicaram em grande parte ao comércio nas cidades. O século XX também viu crescer o número de judeus desembarcados no Brasil, assim como o início da imigração de japoneses, que alcançou grandes números na década de 1930.OS ÁRABES


Povos árabes começaram a desembarcar no Brasil em fins do século XIX. No início do século XX, esse fluxo imigratório cresceu e passou a se tornar importante. Em sua maioria, eram comerciantes sírios e libaneses que se tornaram mascates no Brasil, percorrendo as grandes cidades e o interior para vender seus produtos. Com o passar do tempo, passaram a fincar comércios nos centros urbanos, desembarcando no Brasil cerca de 70 mil árabes.



OS JAPONESES

Cartaz japonês divulgando e promovendo a imigração ao Brasil. Comércio japonês em São Paulo na década de 1940. Os japoneses tornaram-se um dos mais importantes grupos de imigrantes a se estabelecer no Brasil. Apesar do nítido preconceito contra imigrantes asiáticos, o governo brasileiro passou a atraí-los a partir de 1908. Nesse ano, desembarcaram no Brasil 781 japoneses, camponeses pobres, que após o fim do sistema semi-feudal que imperava no Japão, se viram sem perspectivas de vida. Entre 1908 e 1915, foram trazidos para o Brasil 15 mil japoneses. Esse primeiro ciclo imigratório foi subsidiado pelo governo de São Paulo, que pagava parte da passagem. O restante era pago pelos cafeicultores, e depois descontado no salário dos trabalhadores.


Os japoneses ficavam hospedados na Hospedaria dos Imigrantes e, no dia seguinte, eram encaminhados em vagões fechados e sem ventilação para o interior de São Paulo. As condições árduas de trabalho nos cafezais do oeste paulista e o choque cultural criaram conflitos entre os colonos japoneses e os cafeicultores. Isso obrigou o governo brasileiro a cancelar a imigração subsidiada, em 1914. O início da I Guerra Mundial fez cessar por completo a primeira fase da imigração japonesa no Brasil.


A segunda fase começou com o fim da Guerra. Entre 1925 e 1935, desembarcaram no Brasil 140 mil japoneses. Após 1950, a imigração de japoneses cessou por completo. Muitos japoneses tornaram-se donos de terras no interior, enquanto outros rumaram para os centros urbanos, principalmente São Paulo, se concentrando em bairros étnicos, como a Liberdade.



A LEI DE COTAS

A Lei de Cotas foi revogada durante o governo de Getúlio Vargas, na década de 1930. Para o governo, não havia mais espaço para os operários imigrantes, que traziam consigo uma longa tradição de lutas sindicais e libertárias. Essa lei dizia que só podiam entrar no Brasil até 2% por nacionalidade do total de imigrantes entrados no país nos últimos 50 anos, apenas os portugueses foram excluídos dessa lei. Com isso, a imigração foi gradativamente decaindo no país, somando-se às crises econômicas enfrentadas pelo Brasil. O desenvolvimento desigual entre as regiões de um país provocam desequilíbrios econômicos e políticos internos, responsáveis por grandes movimentações internas de pessoas, como as que existem no Brasil.